Acumular pensão e aposentadoria: o que muda após a reforma da previdência

Orientação jurídica para solicitação de benefício previdenciário junto ao INSS

Entenda quando é possível acumular pensão por morte e aposentadoria no Brasil após a Reforma da Previdência e como o INSS calcula os valores.

Regras de acumulação de benefícios: o que é permitido e o que não é 

Após a Reforma da Previdência, as regras ficaram mais detalhadas. A base constitucional está na EC 103/2019, enquanto as normas gerais seguem previstas na Lei n.º 8.213/1991 e no Decreto n.º 3.048/1999.
De forma objetiva, funciona assim:

  • É possível acumular aposentadoria e pensão por morte, mas com aplicação de redutores sobre o benefício de menor valor;
  • Duas aposentadorias no mesmo regime (RGPS) não podem ser acumuladas. Quando envolvem regimes diferentes, aplicam-se regras específicas.
  • O BPC/LOAS não pode ser acumulado com aposentadoria nem com pensão por morte, por se tratar de benefício assistencial;
  • Auxílio-reclusão e aposentadoria do segurado recluso não se acumulam. Já os dependentes podem ter direito ao auxílio-reclusão, desde que preenchidos os requisitos legais.

Por isso, não existe uma resposta única. Cada situação precisa ser analisada com base no histórico do segurado e nos benefícios envolvidos.

Como funciona a pensão por morte após a reforma da previdência?

A pensão por morte foi um dos benefícios mais impactados pela Reforma da Previdência. Hoje, o valor da pensão é definido a partir do benefício previdenciário que o segurado recebia ou teria direito a receber na data do falecimento.

Sobre esse valor, o INSS calcula a pensão da seguinte forma:

  • 50% como valor base da família;
  • Mais 10% para cada dependente, até o limite máximo de 100%.

Além disso, a duração da pensão varia conforme a idade e as condições do dependente, conforme previsto em lei. Quando a pensão é acumulada com uma aposentadoria, o INSS aplica um redutor sobre o benefício de menor valor, seguindo percentuais legais.

Na prática, isso significa que a ordem dos pedidos pode influenciar diretamente o valor recebido. Dependendo do caso, se aposentar antes ou depois da concessão da pensão pode gerar diferenças relevantes na renda mensal da família.

A acumulação de aposentadoria e pensão influencia o imposto de renda?

Sim. Os benefícios previdenciários entram na base de cálculo do Imposto de Renda, respeitando as faixas de isenção e tributação. Quando há acumulação de aposentadoria e pensão, a soma dos valores pode elevar a alíquota aplicada. Por isso, é importante analisar não apenas a renda bruta, mas também quanto efetivamente ficará disponível após os descontos de imposto.

Em situações específicas, como dependentes com deficiência ou óbito decorrente de acidente de trabalho, podem existir regras diferenciadas, o que reforça a importância de uma análise individual.

Como se preparar para pedir aposentadoria e pensão por morte

Diante das regras atuais, a melhor decisão começa com planejamento. Antes de pedir qualquer benefício, é importante entender os cenários possíveis e organizar a documentação com atenção. O primeiro passo é simular os benefícios no portal oficial do INSS. A simulação ajuda a identificar as datas de elegibilidade e os valores aproximados, o que permite comparar cenários e avaliar qual pedido pode ser mais vantajoso.

Em seguida, organize os documentos necessários. Para a pensão por morte, são normalmente exigidos a certidão de óbito, os documentos que comprovam a dependência (como casamento, união estável ou certidão de nascimento dos filhos) e o CNIS do segurado falecido. Para a aposentadoria, é essencial ter o CNIS atualizado, a carteira de trabalho e os comprovantes de contribuição, como GPS ou DAS no caso de MEI, ou contribuinte individual. Em algumas situações, também podem ser necessários documentos técnicos, como PPP ou LTCAT.

Um ponto essencial é a revisão do CNIS antes de qualquer protocolo. Vínculos ausentes, salários zerados ou informações incorretas reduzem o valor do benefício e, nos casos de acumulação, podem até inverter qual será considerado o benefício de maior valor.

Alguns erros são recorrentes e merecem atenção. Entre eles, acreditar que sempre é possível receber 100% de cada benefício, desconsiderar o impacto do imposto de renda, esquecer que o BPC/LOAS não permite acumulação, ignorar a duração da pensão conforme a idade do dependente e deixar de revisar a carta de concessão e a memória de cálculo.

Na prática, um caminho seguro envolve:

  1. Revisar e corrigir o CNIS;
  2. Simular aposentadoria e pensão, com datas e valores estimados;
  3. Avaliar qual benefício é mais vantajoso requerer primeiro;
  4. Após a concessão do segundo benefício, conferir a aplicação dos redutores e da tributação;
  5. Ao identificar erros, solicitar revisão administrativa.

Quando a via administrativa não resolve, a atuação judicial costuma corrigir aplicações incorretas da lei, desde que a documentação esteja bem organizada. O objetivo é sempre o mesmo: garantir a maior renda mensal possível, dentro das regras vigentes, com segurança jurídica para a família.

Erros comuns ao acumular aposentadoria e pensão

Alguns equívocos são mais comuns do que parecem quando o assunto é a acumulação de benefícios previdenciários. Em muitos casos, eles só são percebidos após a concessão, quando o valor recebido fica abaixo do esperado.

Entre os erros mais frequentes estão acreditar que sempre é possível receber 100% de cada benefício, pedir aposentadoria ou pensão sem simular previamente a aplicação dos redutores e desconsiderar o impacto do imposto de renda na renda final. Também é comum esquecer que o BPC/LOAS não permite acumulação com outros benefícios e deixar de revisar a carta de concessão e a memória de cálculo. Esses erros podem gerar perdas financeiras relevantes, que nem sempre são fáceis de corrigir

Como tomar a melhor decisão antes de pedir os benefícios

Antes de protocolar qualquer pedido, alguns cuidados simples fazem diferença no resultado. Revisar e corrigir o CNIS é um passo essencial, já que vínculos ausentes ou salários incorretos impactam diretamente o cálculo do benefício.
A simulação prévia da aposentadoria e da pensão, com datas e valores estimados, ajuda a visualizar cenários e a avaliar qual benefício pode ser mais vantajoso solicitar primeiro. Após a concessão do segundo benefício, é importante conferir se os redutores e a tributação foram aplicados corretamente.

Se forem identificados erros, o segurado pode solicitar a revisão administrativa e, quando necessário, recorrer a via judicial.

Em resumo

A acumulação de pensão por morte e aposentadoria continua sendo possível após a Reforma da Previdência, mas exige atenção às regras atuais. Com planejamento, simulação e revisão documental, é possível buscar segurança jurídica e a melhor renda mensal possível, sempre dentro da legislação vigente.

 

Paula Prates

Paula Prates é escritora especializada em direito previdenciário e redatora do PrevidênciaBrasil.com. Com mais de 8 anos de experiência traduzindo o "juridiquês" para linguagem acessível, Paula dedica-se a ajudar brasileiros a entenderem seus direitos junto ao INSS.

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